Número 42, Jueves 8 de agosto de 2019. Sección Columnas

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Pesquisa-ação-pedagógica como opção epistemológica para a formação de professores. Algumas ideias

por Sueli de Lima Moreira *

 

A opção pela pesquisa-ação pedagógica como método de investigação expressa um posicionamento acerca da sociedade e da educação. Compreendendo a educação como prática social, que reúne saberes de distintos grupos, buscou-se a construção de um contexto colaborativo para a pesquisa, em que todos os participantes são ao mesmo tempo sujeitos e pesquisadores na produção de conhecimentos. Desenvolver uma investigação científica a partir de fontes que são historicamente construídas, como as relações de professores e estudantes com escolas e universidade, exigiu a reunião de condições epistemológicas capazes de auxiliar a formulação de um campo de investigação solidária, plural, criativa e aberta ao diálogo universitário e comunitário (Brandão 2003).

Para (Franco 2008), pesquisar educação é atuar em meio a uma concepção metodológica que supera a concepção dualística que pensa o objeto em separado do sujeito. Essa concepção não corresponde a uma concepção subjetivista, mas a outra racionalidade para a pesquisa em educação. A autora afirma que a pesquisa em educação tem uma perspectiva eminentemente pedagógica, pois estuda as práticas educacionais por meio da participação dos próprios sujeitos, agindo também no campo da formação dos envolvidos, transformando-os. Essa opção pressupõe a integração dialética entre o sujeito e sua existência, entre fatos e valores, entre pensamento e ação e entre pesquisador e pesquisado (Franco 2012).

Para iniciar o trabalho foi necessário nos perguntarmos o que deveríamos fazer quando somos o que queremos interpretar e conhecer? Quando fazemos parte do que chamamos de “objeto de conhecimento”, ou seja, aquilo que queremos conhecer e interpretar?  Diante destes desafios nos apoiamos em Brandão (2003) e Franco (2016) para elaborar um plano de investigação científica coletivo.

A pesquisa terá que desenvolver buscando elaborar condições que nos permitissem que as relações entre universidade e escolas fossem experienciadas de forma horizontal, de modo que pudéssemos acessar os saberes que nascem dessa reunião. Queremos a emancipação e o empoderamento de professores através de processos de investigação partilhada, um trabalho “com” professores e não “para” professores pois sabemos que quando compreendemos nossa prática temos mais poder para transformá-la.

A pesquisa-ação voltada para a formação contínua de professores foi denominada por Franco (2016) de pesquisa-ação-pedagógica, pois tem a formação como objetivo principal. Aqui é importante esclarecer que não se trata de tornar os professores pesquisadores profissionais, mas de realizar um trabalho coletivo que permita ao professor rever as teorias educacionais e as relações com suas práticas, para que possa ter condições de reconstruí-las.

A conquista da autonomia docente não é uma qualidade de alguns, mas um processo que se conquista coletivamente e gradativamente, garantindo ao professor o acesso a condições complexas que constituem o campo da educação (Franco 2016). Para tanto, investimos em práticas de formação coletivas, pois acreditamos que se vivenciarmos as condições complexas em coletivo, compreenderemos a dialética formativa que conduz à revisão crítica de nossas práticas. Assim, compreendemos a dimensão social, historicamente determinada e ideologicamente comprometida, como parte integrante do fazer pedagógico, aspecto que, mesmo simples, ainda é um desafio no Brasil.

A dinâmica de um processo formativo centrado na escola, como propomos, vincula o ensino à pesquisa e a pesquisa à extensão, objetivando formar o professor, como profissional, capaz de compreender e atuar na realidade educacional contemporânea, da mesma forma que cria condições para a universidade expandir seu papel social. A pesquisa configura-se espaço de formação articulado à extensão universitária, como “braços” da universidade que, através do diálogo e compromissos pactuados, ampliam a ação universitária para estar em algumas escolas do município. Por outro lado, busca, também, trazer para dentro da universidade o que Sousa Santos (2010) propõe como “extensão às avessas”, quando se constrói condições de outros saberes e atores atuarem no interior da universidade, convidando os professores das escolas a refletirem juntos com os estudantes universitários em espaços de formação continuada.

 

 

 

 

Referencias

Brandão, Carlos Rodrigues. 2003. A pergunta a várias mãos: a experiência da partilha através da pesquisa em educação. São Paulo: Cortez.

Franco, Maria Amélia e Evandro Ghedin. 2008. Questões de método na construção da pesquisa em educação. São Paulo: Cortez.

Franco, Maria Amélia. 2012. Pedagogia e prática docente. São Paulo: Cortez.

Franco, Maria Amélia. 2016. “Pesquisa Ação-pedagógica: práticas de empoderamento e participação. In Revista de Educação Temática”. Campinas 18 (2): 511-3.

Santos, Boaventura de Souza. 2010. A universidade do século XXI: para uma reforma democrática e emancipatória da universidade. São Paulo: Cortez.

 

 

 

 


* Doutora em Educação pela Universidade de São Paulo. Profesora Adjunta Faculdade de Formação de Professores, Universidade do Estado do Rio de Janeiro. limamoreirasueli@gmail.com.

 
 


Cite este trabajo:

Lima Moreira, Sueli de.  2019. Pesquisa-ação-pedagógica como opção epistemológica para a formação de professores. Algumas ideias. Blog nuestrAmérica, xx de mes, sección Columnas. Acceso [día de mes de año]. http://blog.revistanuestramerica.cl/ojs/index.php/blognuestramerica/article/view/46


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